
Ontem li a notícia que uma ciclista havia morrido atropelada por um ônibus em São Paulo. Li rapidamente e lamentei, passei adiante e li sobre a crise, sobre o fim da Favorita, sobre a audiência da Maysa, estréia do BBB 9 e mais um monte de baboseiras.
Podia ter seguido com meu dia, meu trabalho, mas não sei o que me levou a clicar na matéria da tal ciclista novamente mais tarde. Dessa vez a ciclista já tinha um nome "Márcia Regina de Andrade Prado". Li e reli a notícia umas 2 vezes. Fuí ao Google e descobri que a ciclista era uma ativista pelo respeito aos ciclistas no trânsito, participava de eventos, bicicletadas e seguia a vida dela, sem carro, lutando pelo seu direito de ir e vir com sua bike.
Pesquisando no Orkut, o nome virou rosto. Um rosto calmo, tranquilo... E esse rosto me leveu a ver que a Márcia era uma pessoa, uma vida... Filha de alguém, irmã, amiga, tia, esposa, vizinha, cidadã!!!!
Eu ando de bicicleta nos fins de semana. E tenho o hábito de ser sempre o fim da fila - tomo conta dos que estão na frente e sempre aviso quando um carro, moto ou ônibus se aproxima... Sempre foi a minha maior preocupação - um doido pegar um de nós - e vai continuar sendo. Eu evito andar em locais com grande fluxo de carros, respeito as regras para ciclistas, sempre busco andar em locais mais afastados e mesmo assim, já escapei de alguns sustos. São motoristas que passam muito perto, outros que aceleram, uns que jogam o carro, outros que xingam...
Eu também tenho carro. Sou uma motorista consciente. Do tipo que pára para pedestres atravessarem, passa bem devagar por ciclistas, motos, respeita limites, sinalizações... Uns me acham uma chata, outros acham que eu sou raridade, eu me vejo como alguém que respeita a vida, a minha e dos outros.
Meu carro pode ser uma arma e ele mata!!! Não quero ter isso em minha vida, um nome que vira rosto, pessoa, filho, amigo, vizinho... Um nome que morre!!!
O Código Brasileiro de Trânsito, é claro é diz: (art. 201) deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta é infração média e (art. 220) deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito (inciso XIII) ao ultrapassar ciclista é infração grave.
Respeitemos a vida! Respeitemos nossos semelhantes! Nossos amigos, vizinhos, irmãos, desconhecidos!
Motoristas, respeitem os ciclistas. Respeitem seu direito de ir e vir. Uma vida acaba com uma acelerada, uma virada brusca de volante... O pior de tudo é dormir tranquilamente depois de tirar uma vida, mesmo que tenha sido por acidente.
Eu não sou melhor se estou de carro ou não, o ciclista não está me agredindo...
Todo mundo tem que se respeitar, é preciso fazer ver que o trânsito mata, acaba com famílias, sejam eles ciclistas, motoristas de caminhão, ônibus, moto...
Se meu carro esbarrar em um ciclista, fatalmente ele vai pro chão e se a "sorte" não acontecer, ele pode se machucar muito e morrer, assim como aconteceu com a Márcia.
Não vou julgar o motorista do ônibus. Mas que ele tinha o "poder" em mãos, isso ele tinha... Esse esbarrão, esse desequilibrio causou a morte de uma brasileira, de uma massagista, de uma amiga, filha, esposa, ciclista, de uma cidadã.
Acidente? Pode até ter sido, mas que não se repita mais...
Leis severas, regras claras, ciclovias, sinalização e principalmente, punição!!!
Não acredito que a morte de ninguém sirva de lição hoje em dia... Será que alguém realmente muda lendo a notícia da morte de uma desconhecida em um jornal?
Que Deus nos ajude e que sirva de lição sim. Sirva para quem dirige um carro achando que é uma armadura, para quem risca o trânsito sem controle, para quem avança sinal, para quem mata e fica "tranquilo com sua consciência". Porque morte é sempre morte, sendo ela intencional ou não. Acidentes acontecem, eu posso passar por uma situação dessas, dos dois lados, como ciclista ou como motorista. Mas minha formação impediria que eu ficasse tranquila, mesmo por acidente... Que sirva de lição e de alerta.
Para a família e amigos da Márcia, deixo meu abraço. Os votos de força e fé e a certeza que ela estará em um local muito melhor do que aqui.
Márcia, sinto só tê-la "conhecido" dessa maneira. O pouco que sei, é que você era alguém legal, consciente, participativa, digna... Saiba que sua "pedalada" por aqui deixou marcas e não foi em vão...
Abraço e consciência à todos!!!

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